Dependendo do ponto de vista do observador da realidade internacional contemporânea e sua linha de interpretação, ele terá um amplo espectro de análise. Pois pode interpretar este momento que estamos vivendo como um momento de reformulação do sistema capitalista liberal, quero dizer, poderá entender que este seria um processo natural do desenvolvimento capitalista. Por outro lado um pesquisador como Eric Hobsbawn pode afirmar que estamos vivendo o fim de um longo século XIX, conforme descreve em sua trilogia, “Era dos impérios”, “Era dos capitais” e “Era dos extremos”.
Desta forma, teremos os dois teóricos pró-estadunidenses trabalhando para justificar o poderio imperial do gigante do norte, caso do Fukuyama, que afirma estarmos vivendo uma via de mão única, onde teriam falido as linhas políticas de tendência sociabilizantes em favor da politica capitalista determinada pelo império estadunidense, este, seria o grande vencedor politico atual do mundo moderno, como se a história tivesse fim. Acreditamos que sua linha de analise teórica é especialmente desenvolvida para justificar a opressão estadunidense sobre os países “menos” desenvolvidos econômica, tecnológica e culturalmente do ponto de vista do mundo ocidental. Por outro lado, a teoria do choque de civilizações de Huntington pode ser usada para mais uma vez justificar a supremacia civilizacional ocidental branca e “desenvolvida”. Porém, acreditamos que a polarização dos extremos culturais, onde a era da tecnologia da informação aproxima os povos e supostamente derruba fronteiras, também enfatiza a necessidade de se reconhecer localmente para agir mundialmente. Assim, com a polarização atual entre o velho mundo ocidental desenvolvido e o atual mundo emergente, tem potencializado a percepção das diferenças culturais.
Dentro desta perspectiva de revisão do posicionamento do mundo corporativo capitalista frente as novas exigências do mundo moderno, acreditamos que a tese dos teóricos citados tendem a justificar a necessidade de reposicionamento dos EUA frente a países em ascensão oriundos da antiga periferia do sistema, caso dos BRICS, assim como, relativizar seu liberalismo comercial onde tenderão a exercer maior controle sobre as grandes corporações que avançam com suas necessidades e predatoriedade sobre o sistema anteriormente pré-estabelecido.
Acreditamos que em curto prazo a politica internacional será ordenada de forma a contemplar as diferentes culturas exposta as vicissitudes consumistas do ocidente, onde as lideranças do oriente e do ocidente travarão uma guerra surda para determinar a supremacia de seu grupo original. Muitos teóricos e estudiosos atuais vislumbram a multipolaridade cultural do mundo atual, como fator principal de preocupação para a sobrevivência do estilo de vida ocidental. Cremos ainda que esta mudança e ascensão dos países antes periféricos, das culturais orientais miscigenadas com a cultura ocidental, estes modos de vida mesclados que vimos atualmente nos grandes centros urbanos, característicos das megalópoles, tem inicio com a queda do muro de Berlim e se acentua mais dramaticamente com a derrubada das torres gêmeas, motivadas por representantes de grupos historicamente oprimidos e demonizados que simbolicamente podemos entender como a reação dos oprimidos sobre os opressores. Cremos que a partir daí temos o inicio desta movimentação para a reorganização mesmo que simbólica da geopolítica internacional.

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