Nos últimos anos, as políticas neoliberais têm dedicado grande importância à educação para criar e sustentar sua hegemonia sobre outras ideologias, que com elas disputam um projeto de educação e de sociedade. A construção dessa hegemonia passa pela mudança do senso comum, especialmente no que se refere à transformação radical dos significados, categorias, conceitos e discursos que conferem um determinado sentido à realidade. Essa transformação do campo semântico modifica substancialmente tanto as possibilidades de leitura e compreensão da realidade, como também de intervenção na mesma.
Os meios de comunicação de massa são temas atuais e polêmicos. Até hoje, é freqüente a discussão se a televisão, tomando-se uma das mídias mais populares como exemplo, massifica o espectador, interfere no seu comportamento, informa ou deforma. Sob a óptica da questão educacional, o debate ganha novos ângulos, como se pode verificar nos saberes que as mídias e a comunicação em massa transmitem não se baseiam necessariamente em qualquer dado de experiência racionalizada. “A força destas autoridades deve-se ao fato de que nem todos podem construir um saber espontâneo, sobretudo o que seria útil conhecer. Daí a comodidade para conduzir sua vida, de um repertório de saber pronto. Daí também em contrapartida, o peso que possuem os meios de comunicação que o transmitem e as instituições que patrocinam à transmissão desse saber.
A disciplina em questão destaca os meios de comunicação em massa e seu impacto na sociedade; o segundo tem com escopo a sociedade globalizada e o consumo.
Quando se trata de conhecer ou querer “decifrar” as identidades, alguns autores enveredam pelo aspecto do consumo. Segundo LIPOVETSKY (2007), vivemos hoje numa fase do turboconsumidor, esta conceituada como a “passagem da era da escolha à era da hiperescolha, do monoequipamento ao multiequipamento, do consumismo descontínuo ao consumismo contínuo, do consumo individualista ao consumo hiperindivudialista” (idem, p. 104). Ou seja, uma fase que apresenta de forma “mais entrelaçada” as características de uma sociedade de produção e consumo de massa.
Mesmo que a globalização, uma palavra amplamente citada, ecoe como algo “conhecido”, vale citarmos o conceito de BUARQUE DE HOLANDA (1999) que diz que, num sentido geral, tal termo refere-se “a fenômenos transnacionais de grande escala como fluxos de capital, migrações massivas, regimes flexíveis de trabalho, telecomunicações, turismo e transferências culturais” (idem, p. 345) ou ainda, falar disso é falar também sobre formas altamente específicas e culturalmente determinadas através das quais as populações locais interagem, freqüentemente reagem e continuamente transformam processos transnacionais. O que é muito atraente nesse caso é a percepção de que pensar a globalização é pensar tanto a integração quanto à fragmentação, é pensar tanto a homogeneização quanto a diferenciação. (idem, p.345).
Portanto, entende-se que através da globalização o mercado consumista e as trocas econômicas e culturais entre as diversas pessoas se realizam hoje de modo ampliado e intenso (a internet, por exemplo, ajuda a expandir processos de trocas atualmente).

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